Diário de uma jornalista durante o tempo em que estava desempregada...
Os CE começam agora a adaptar-se à realidade de que cada vez mais licenciados estão na situação de desemprego. Como tal, as soluções que nos apresentam não se adequam, a meu ver, às nossas necessidades.
Começando pela formação profissional, tenho a dizer que para esta entidade só existem duas áreas: a Gestão Empresarial e a Informática. São duas áreas que pessoalmente acho muito interessantes, mas considero não ser possível adquirir conhecimentos sólidos e consistentes num curso profissional de 4 meses. A meu ver, nesta situação, os CE deveriam verificar as áreas de formação dos seus inscritos e depois criarem cursos que de facto os pudessem de algum modo qualificar. Na minha área seria interessante ver cursos de ciberjornalismo, reciclagem em determinadas disciplinas, fotografia, rádio, entre outros.
Já em termos de emprego a situação vai até um pouco pior. Se consultarmos o quadro de ofertas de emprego de qualquer CE verificamos que está preenchido essencialmente com pedidos de pessoal não qualificado. Porque é que o CE não estabelece acordos com empresas das mais variadas áreas, tendo em vista a colocação de pessoal qualificado, de modo a que estas tivessem vantagens por integrarem pessoas desempregadas?
Ainda outro dia um empresário me confidenciou que é extremamente complicado uma empresa solicitar um empregado ao CE, pois são demasiado burocráticos e passa muito tempo até que alguém seja colocado em emprego...Mais uma vez, ficamos todos a perder.
Há duas maneiras de estar no desemprego: com subsídio de desmprego e sem ele. Quando a situação é COM temos de estar inscritos no Centro de Emprego da nossa área. Até aqui tudo bem. Mas o que as pessoas e instituíções pensam é que um desempregado passa dos dias em casa, sentado ou deitado (como der mais jeito) tendo de se sujeitar a tudo e tendo de estar sempre disponível. O Centro de Emprego (CE) já me chamou várias vezes, mas atenção nunca foi para colocar em emprego. Trata-se de uma nova forma de estar dos Centros, que nos querem convencer que estão muito preocupados com a nossa situação. Eu até admito que as propostas dos CE seja muito boas para algumas pessoas, mas não o são para todas as pessoas. A primeira vez que me chamaram foi para me dizer que eu não precisava de estar em casa sem fazer nada. Que eu podia participar em programas ocupacionais (como ajudar em hospitais, creches, centros para idosos, ou em empresas) relacionados com a minha área de formação, que de algum modo a complementassem. Mas entre todas as propostas, não havia nada que de algum modo se relacionasse com a minha área: Comunicação. Hoje estive novamente numa reunião, tendo em vista formação profissional complementar. Mais uma vez, a formação era na área de informática e gestão. Cursos que não aprofundam coisa nenhuma e que a meu ver existem para mostrar serviço. A técnica ainda nos avisou que o CE estava no direito (se assim o entendesse) de nos obrigar a frequentar um dos cursos. Como é que eu posso ser obrigada a fazer formação que já tenho, ou que não me interessa para nada. Além do mais, tenho uma filha com 14 meses, a Beatriz. Cada vez que vou a uma destas reunões tenho de deixar a Beatriz com outra pessoa e não é fácil encontrar quem tenha disponibilidade para isso. E não vou pôr a minha bebé numa creche para ir fazer um curso profissional que não quero, ou trabalhar de graça, só para ocupar o tempo. Mesmo desempregada, tenho o tempo bem ocupado. E acerca da função do CE escreverei outro "post", porque este já vai longo.
A primeira vez que me chamaram foi para me dizer que eu não precisava de estar em casa sem fazer nada. Que eu podia participar em programas ocupacionais (como ajudar em hospitais, creches, centros para idosos, ou em empresas) relacionados com a minha área de formação, que de algum modo a complementassem. Mas entre todas as propostas, não havia nada que de algum modo se relacionasse com a minha área: Comunicação. Hoje estive novamente numa reunião, tendo em vista formação profissional complementar. Mais uma vez, a formação era na área de informática e gestão. Cursos que não aprofundam coisa nenhuma e que a meu ver existem para mostrar serviço.
A técnica ainda nos avisou que o CE estava no direito (se assim o entendesse) de nos obrigar a frequentar um dos cursos. Como é que eu posso ser obrigada a fazer formação que já tenho, ou que não me interessa para nada. Além do mais, tenho uma filha com 14 meses, a Beatriz. Cada vez que vou a uma destas reunões tenho de deixar a Beatriz com outra pessoa e não é fácil encontrar quem tenha disponibilidade para isso. E não vou pôr a minha bebé numa creche para ir fazer um curso profissional que não quero, ou trabalhar de graça, só para ocupar o tempo. Mesmo desempregada, tenho o tempo bem ocupado. E acerca da função do CE escreverei outro "post", porque este já vai longo.